sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FECHANDO UM CICLO

O período até aqui lembrado foi vivido na cidade de São Borja – RS, dos meus 2 aos 9 anos de idade. É dessa época as experiências que marcaram minha adolescência. Queria voltar lá e fazer um pouco diferente, queria que o incidente que separou meu pai de minha mãe pela primeira vez não tivesse acontecido ou pelo menos que eu não tivesse tido conhecimento do porque das coisas isso certamente mudaria meu conceito sobre os homens e o  amor.
Creio que ai esteja a chave de todos os meus tropeços, o fato de eu pensar que ninguém gostava de mim, de ser uma bugra, burra, tímida, de não ter a atenção e carinho de meu pai, de me sentir uma mocinha e meu corpo não acompanhar... Exclusão, é essa a palavra, me sentia assim em todos os sentidos e meu erro foi acreditar nisso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FANTASMAS DO CIÚME

Antes de seguir em frente com minha trajetória e meus momentos inesquecíveis tenho que deixar aqui registrado o maior erro que os pais podem cometer com os filhos:
Fiquei feliz em ganhar uma maninha, pois teria uma amiga, brincaríamos juntas, eu ensinaria coisas a ela. Gostava tanto dela que queria muito fazer parte de sua vida, de seus momentos importantes (o 1º momento importante, seu batizado, queria estar lá, queria ser sua madrinha). Lembro que nunca pedi nada e naquele dia queria ir, pedi pra ir e tão gentilmente meus pais me empurraram para os braços da vó. Momentos que marcam... Momentos que magoam...
Ela foi crescendo era o oposto de mim, todo mundo gostava dela, era extrovertida, alegre, um amor de bebê. Tinha o carinho do Pai (era puxa saco dele como dizem) e ele nunca deu palmadas nela...
Cativar amigos era uma coisa natural para ela, todos queriam brincar com ela e a amiga que eu achei que teria escolheu me deixar de lado também. Eu não sei dizer ainda qual foi o real trauma da infância, mas o fato de me isolar e achar que ninguém me queria abriu um buraco entre eu e as pessoas que amava. Começa ai uma luta interna contra meus sentimentos, me fechei  ainda mais, comecei a analisar todo mundo, transportava os que não gostava para meu mundo imaginário onde lá eu os massacrava só não conseguia superar a distancia de meu pai...
O fato de o pai preferir minha irmã deixou claro na minha cabeça que seriamos inimigas e eu precisava ganhar pontos afinal era maior, sabia de coisas que ela ainda não entendia e ajudar minha mãe na faxina da casa foi uma das idéias que tive (a idéia era trazer a mãe pro meu lado, mas isso não adiantou nada e só me trouxe trabalho), não querer presentes e roupas caras também foi outro item escolhido afinal éramos pobres e gastar demais eles não podiam ( o fato é que eu alem de ficar sem presentes e roupas novas via eles comprando as coisas mais caras pra ela pois eu não quis então gastavam com ela....ai que ódiooooo).
Na verdade todo o ciúme ia embora quando eles tratavam as duas de igual pra igual e momentos felizes também fizeram parte da infância com minha irmã. Sabe, adorávamos ganhar de presente de Natal ou Páscoa aquelas cestinhas de doces ( aquelas cestas que até hoje são vendidas nos mercados que vem o Papai Noel, balinhas, pipoca doce, merendinhas, gominhas, etc...). Nossos pais as colocavam junto de nossas camas... Aquele sim era um presente e as bolachas pintadas que a mãe fazia... huuuummmm (mas a gente só podia comer elas quando chegava visita exceto as vezes é claro que a gente abria a lata e pegava algumas escondido e deixava tudo como tava pra mãe não perceber).... bolachinhas boas.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

MOMENTO INTERNACIONAL

Moramos na argentina alguns meses, meu pai foi para lá ajudar seu irmão nos negócios, na verdade trabalhar para ele (meu pai era carpinteiro). Morávamos todos na mesma casa acho que não foi um período fácil aquela época, lembro pouco, mas também prevalecem os momentos maus. Momentos que marcam...
Sempre quis o carinho de meu pai, abraçá-lo e foi lá que dei minha primeira mancada. Ele ia todo dia em uma venda e me lembro que sempre ficava em pé junto ao balcão. Um dia pediram para eu ir chamá-lo e fui correndo, logo avistei alguém no balcão e me enrosquei nele para dar o recado e...¨OPA¨ não era ele. O dono da venda riu, o homem riu e meu pai que naquele dia não estava no balcão riu de mim e que droga eu não sabia mesmo conquistar carinho, mas sabia bem tirar risos das pessoas. Isso me afastou um pouco do pai, tive medo;
Outro momento pra La de ruim aconteceu entre eu e minha priminha Silvia ela era bem menos que eu e certo dia quando brincávamos de esconde-esconde e ao me achar atrás de uma porta ela me dá uma mordida no braço interminável aquilo doeu até na alma e eu podia ter dado umas¨ bifas¨ nela e tive medo. Foi ai que aprendi que trancando a respiração a dor diminui.
Retornamos ao Brasil, mas íamos seguido pra lá visitar. Apresentações então: Lá morava Tio Silvio (na época casado com tia Joana e as primas Silvia e Lili). Ele era mandão, sempre dono da Razão e não gostava de ser contrariado, sabe aqueles chefões da máfia, lembro de uma vez que ele ao abrir a geladeira um ovo cai no chão...pra quê, ele pegou os demais e jogou tudo no chão ( - Querem cair? Então que caiam.); Lá também moravam tio jaci e tia Ládis e os filhos Enio, Hélio, Erico e Nica. Lá me sentia melhor, ele era alegre, malucão também, mas alegre e seus filhos eram maiores e com isso eu estava livre de possíveis mordidas.

domingo, 14 de novembro de 2010

No passado os segredos do futuro?

Uma criança grava na memória tudo de bom e de ruim que lhe acontece fato que poderá servir de guia e outros medos e traumas que a acompanharam pela vida toda. as vezes não é fácil trabalhar com tanta informação ao mesmo tempo...uma criança apesar de inteligente não sabe o que é certo e errado e se você falar a ela que ela é isso ou é aquilo por varias vezes repetidamente ela vai automaticamente aceitar isso como sendo real, e ai pode estar o problema, veja o meu exemplo:
- De minha infância como já disse não lembro muita coisa, mas as que lembro são até hoje como um guia, a bíblia de meu eu. São apenas flashes, mas que não me largam no inconsciente.
- Fui sempre uma menina quieta, sem amigos, brinquei pouco, meu pai me deu umas palmadas quando eu era neném por eu ter chorado (da palmada não lembro, mas lembro que me contaram e esse deve ser o motivo de ter fechado a boca – o medo de levar palmada do pai) e o fato de ser quieta me levou a ser motivo de chacota de parentes, era chamada de bicho do mato, xucra, bugra, burra (¨- Onde ta a xucra, ta embaixo da mesa ou da cama parece um bicho do mato mesmo....¨) isso me isolou do mundo, das pessoas afinal eu era um bicho e ninguém gostava de mim, meu cabelo era horrível, eu era feia e ninguém nunca ia gostar de mim; _ Minha mãe me chamou de: ¨ - Tonta, burra não olha por onde anda¨,  isso só pelo fato de eu ter tropeçado ao andar e o que eu queria era que ela me desse a mão, queria andar ao lado dela por isso apertei o passo eeeeee....tropecei....;
- Meus pais nunca me levaram ou me buscaram na escola nem tão pouco me incentivavam no estudo ( eu fiquei em recuperação na 3ª série e nem sabia o que era isso, não fui na aula de recuperação e a escola foi ver com meus pais o motivo. Levei uma ralhada por estar prestes a repetir o ano, fui chamada de tonta pela minha professora,ela me deu uma reguada na mão e me colocou no lado em que ficava os burros na sala de aula. Eu chorei e ela se arrependeu mas ai já era tarde eu gostava dela, gostava e daquele momento em diante não gostava mais dela nem de escola.) afinal de contas parece que eu sou uma burra mesmo;
- Nunca quis comer a merenda na escola mas ficava morrendo de vontade, ai aquele cheirinho de sopa. Tinha vergonha que fosse fazer algo errado, derrubar a comida sei lá enfim  não queria que meus colegas ricem de mim. No recreio ficava sozinha pois não sabia brincar como as outras e não tinha conversa com ninguém, não sabia o que falar, as horas na escola eram uma tortura;
- Minha única amiga de infância foi minha prima Giovana e quando enfim ia ter uma amiga pra brincar na escola meus pais mudam de cidade e lá estava eu só novamente. Acostumada com a solidão ela transformou-se em minha melhor amiga e me ensinou a brincar, criei meu próprio mundo onde eu falava , tinha amigos e era inteligente e admirada por todos;
- O momento bom a lembrar até aqui: Me senti uma mocinha já aos 5 anos de idade quando ajudei minha mãe a cuidar de minha maninha ( a Nega), ensinei ela a chupar no bico, ajudava ela a limpar a casa e por causa de minha maninha ganhei uma boneca (a lici)mas só ganhei porque ela ganhou mas tudo bem ( a boneca era brinde na loja em que meu pai trabalhava, o dono da loja era padrinho dela e deu uma pra ela e deve ter ficado com dó e deu uma pro pai me dar).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DE VOLTA PARA O FUTURO...

Nada melhor que contar o presente dando uma revisada no passado. Da minha infancia pouca coisa ficou gravada e vou relata-las aqui assim quando minha cuca fundir já está tudo escrito não é mesmo. A primeira coisa e marcante, carinhosa e que é um afago para mim aconteceu quando eu ainda tinha alguns meses de vida ou um pouco mais, só lembro que era de colo época em que a criança não pode mexer em nada, fazer nada, nada pode e que besteira...a criança sabe tudo, tá aprendendo tudo, ouvindo tudo (outra coisa que lembro é que eu sabia falar, sabia o que eram as palavras só não sabia como elas saiam de minha boca, como fazer pra dizer...eheheh, que coisa né). Bom chega de enrolação, o meu momento...¨Estavamos nós, eu, minha mãe e meu pai na casa de meus avós maternos num dia frio ao lado do fogão a lenha. Eu não lembro do porque que aconteceu mas um de meus tios, o tio Auro, resolveu me ensinar a fazer pão de fubá ( por certo a vó tava fazendo pão e eu chorei pra ajudar e não me deixaram ai meu querido tio arteiro me fez esse carinho). Que maravilha, sabe o momento da brincadeira com a farinha nem lembro o que lembro e marcou foi o fato que eu e ele ficamos ali naquele fogão esperando aquele pão crescer para assar...e nada...algo aconteceu, talvez açucar, o frio demais sei lá e ele foi para o forno assim mesmo e não é que ele não cresceu...aiaiaiai, foi uma gargalhada só. O Auro não sabe fazer pão, não sabe fazer pão, esqueceu o fermento que feio. Feio que nada, que lindo meu tio e eu encurralados num canto como duas crianças levadas, vocês não sabem fazer pão mas o pão ficou bom. Cada vez que iamos lá o tio me convidava pra fazer aquele pão, o nosso pão que ninguem sabe fazer só nós...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Começando....

        Bem vindos ao meu diario de bordo. Aqui vou contar um pouco das aventuras e desventuras pelas quais estou passando. Vivendo um dia após o outro, tentando aprender com os tombos.