quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FANTASMAS DO CIÚME

Antes de seguir em frente com minha trajetória e meus momentos inesquecíveis tenho que deixar aqui registrado o maior erro que os pais podem cometer com os filhos:
Fiquei feliz em ganhar uma maninha, pois teria uma amiga, brincaríamos juntas, eu ensinaria coisas a ela. Gostava tanto dela que queria muito fazer parte de sua vida, de seus momentos importantes (o 1º momento importante, seu batizado, queria estar lá, queria ser sua madrinha). Lembro que nunca pedi nada e naquele dia queria ir, pedi pra ir e tão gentilmente meus pais me empurraram para os braços da vó. Momentos que marcam... Momentos que magoam...
Ela foi crescendo era o oposto de mim, todo mundo gostava dela, era extrovertida, alegre, um amor de bebê. Tinha o carinho do Pai (era puxa saco dele como dizem) e ele nunca deu palmadas nela...
Cativar amigos era uma coisa natural para ela, todos queriam brincar com ela e a amiga que eu achei que teria escolheu me deixar de lado também. Eu não sei dizer ainda qual foi o real trauma da infância, mas o fato de me isolar e achar que ninguém me queria abriu um buraco entre eu e as pessoas que amava. Começa ai uma luta interna contra meus sentimentos, me fechei  ainda mais, comecei a analisar todo mundo, transportava os que não gostava para meu mundo imaginário onde lá eu os massacrava só não conseguia superar a distancia de meu pai...
O fato de o pai preferir minha irmã deixou claro na minha cabeça que seriamos inimigas e eu precisava ganhar pontos afinal era maior, sabia de coisas que ela ainda não entendia e ajudar minha mãe na faxina da casa foi uma das idéias que tive (a idéia era trazer a mãe pro meu lado, mas isso não adiantou nada e só me trouxe trabalho), não querer presentes e roupas caras também foi outro item escolhido afinal éramos pobres e gastar demais eles não podiam ( o fato é que eu alem de ficar sem presentes e roupas novas via eles comprando as coisas mais caras pra ela pois eu não quis então gastavam com ela....ai que ódiooooo).
Na verdade todo o ciúme ia embora quando eles tratavam as duas de igual pra igual e momentos felizes também fizeram parte da infância com minha irmã. Sabe, adorávamos ganhar de presente de Natal ou Páscoa aquelas cestinhas de doces ( aquelas cestas que até hoje são vendidas nos mercados que vem o Papai Noel, balinhas, pipoca doce, merendinhas, gominhas, etc...). Nossos pais as colocavam junto de nossas camas... Aquele sim era um presente e as bolachas pintadas que a mãe fazia... huuuummmm (mas a gente só podia comer elas quando chegava visita exceto as vezes é claro que a gente abria a lata e pegava algumas escondido e deixava tudo como tava pra mãe não perceber).... bolachinhas boas.

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